Confira na íntegra o relato detalhado que o atleta Éverton Siqueira publicou sobre a sua máquina Soul Magma HT 829.

“Teste Soul Magma HT 829.

Magma é a rocha em estado de fusão, altíssima temperatura que ao fluir na erupção de um vulcão passa por sobre tudo sendo praticamente impossível impedir seu avanço. Um nome forte, imponente e sugestivo para uma bicicleta.

A proposta da Marca é ser esta a bicicleta HT de competição mais rápida para provas de Maratonas e Ultramaratonas, existindo inclusive outro quadro HT de geometria diferente voltada para provas de XCO, embora com mesmo nome.

O Quadro rígido em carbono de alto módulo com uma pintura cinza bem singular semiperolizada consegue ser discreto e ainda assim chamar atenção. Ao tato a pintura é lisa lembrando uma superfície antiaderente o que revelou na prática excelente facilidade na hora da lavagem. Incrível é que dependendo da quantidade de luz no ambiente ela parece mudar o tom da cor. O grafismo discreto com os nomes da marca e modelo simetricamente dispostos em forte cor preto com linhas de grafismo laranja deixaram a bike bem “gringa” e bonita, sem escândalos, o que só não agradaria ao Clóvis Bornay.

Nas tecnologias aplicadas encontramos o movimento central press fit BB92 (mesmo padrão de Scott, BMC e outras marcas consagradas), a caixa de direção Tapered hoje praticamente Universal nas MTBs de competição, o freio traseiro post mount no stay inferior, o eixo traseiro X12 142+, cabeamento integralmente interno já com pré-disposição para uso de grupos eletrônicos. Tudo demonstrando a preocupação da marca com a qualidade e tecnologia. Suspensão temos a nova Rock Shox SID XX 2017 com 100mm de curso, eixo 15mm e trava hidráulica no guidão. Grupo completo Shimano XTR 9000 com 2 coroas (26×36) e cassete de 11 velocidades (11×40) incluindo os freios e discos ice-tech. Rodas Mavic CroosRide Ligth. Pneus Vittoria Mezcal TNT 29 x 2.25 (os quais já elogiei em outro release) e são muito bons, embora um pouco pesados. Mesa, Canote e guidão em carbono da Controltech. Isso mesmo, até a mesa é de carbono! Manoplas ergonômicas no estilo easy grip. Selin Fizik Tundra. No Site refere pesar 10,9kg… A minha no tamanho 16 acusou 10,7kg na balança… Parabéns a marca pela honestidade na informação! 10,9kg presumo ser a de tamanho 18.

Pontos negativos a observa… Vem sem pedais… Nem vou comentar pois já sabem o que penso disto! Também não vem com protetor do Chain Stay o que não é uma lástima pois via de regra hoje as próprias lojas dão um de “brinde/Marketing”, mas enfim, podia vir.

Após 2 pequenos pedais apenas para testar o bikefit e agregar os pneus ao sistema tubelles promovidos já encarei uma XCM de 60kms com 2000m de altimetria (Maratona de Afonso Cláudio) e nesta prova a bike foi extremamente competente de forma que já poderia ter feito um release com muito a elogiar, ainda assim resolvi percorrer uma quilometragem maior a fim de vasculhar eventuais falhas no “hardware” e conhecer cada detalhe e comportamento. Como palco utilizei os percursos usuais da grande Vitória, trilhas de queimados, percursos mais complexos em Cariacica e Viana, e o maior de todos os testes, competições! Agora com mais substanciais quilômetros rodados (quase 1000) posso descrever melhor as nuances do magnífico comportamento dessa MTB e do seu eficiente sistema de microamortecimento que na minha opinião justificaria a mudança de HT no seu nome para ST. Soft Tail!

Embora se trate de um Frame de MTB visualmente rígido o comportamento desta bike demonstrou ser distinto das demais HTs que já pilotei ao ponto de defender que melhor seria a definição de Soft Tail. A sensação de suavidade transferida ao passar por obstáculos consideráveis é tamanha que às vezes chega a lembrar uma Full Suspension! (Lembrem-se que tenho uma Full para comparar). Tamanha foi a confiança que ganhei ao passar por terrenos técnicos que fui propositadamente buscando obstáculos maiores para testar esse “amortecedor fantasma”. No Parque da Fonte Grande os calçamentos irregulares passam macios e o Rock Garden via fradinhos “nem dói”, sejam subindo ou descendo. Vibrações dos estradões como as famigeradas “costelas de vaca” são parcialmente anuladas de forma que o conforto é muito bom o que permite desenvolver uma maior velocidade e ainda ficar “mais inteiro” pois sofre-se bem menos.

Observando atentamente o Frame se percebe que não há braçadeira de canote típica, e sim um slot diferenciado onde uma braçadeira de 2 parafusos está encrustada no próprio quadro, promovendo a fixação do canote de 27,2mm de diâmetro que flerte levemente. Os down stays são finos e achatados no plano horizontal possuindo uma curvatura com origem adiantada no Top Tube antes do slot do canote. Esse sistema permite uma deflexão dos mesmos de baixo para cima, mas não lateralmente, o que impede qualquer perca de transferência de potência das pedaladas mesmo nas acelerações e sprints mais explosivos. Acredito que esse comportamento é garantido pelos robustos chain stays com desenho assimétrico em onda ajudado pela rigidez do eixo X12 (142+) adotado na roda traseira. Com baixo peso a bike engole as subidas com facilidade incrível e tem uma acentuada dinâmica em trechos sinuosos (o entre eixos de 1056,9cm favorece estas características). Desce bem pela leitura confiante do terreno e é estável em altas velocidades (isto me surpreendeu pois entre eixos curtos não costumam favorecem a estabilidade em alta). Nas curvas o comportamento é bastante neutro e previsível sem tendências de saída de frente ou “perca da traseira”.

A geometria do modelo passa pelos clássicos ângulos do selim com 73 graus e da caixa de direção com 71 graus, um chain stay de 437mm e caixa de direção de 95mm. Estes dados no quadro de tamanho 16 polegadas. O Chain stay com essa medida não extremamente curta (há HTs hoje com 428mm) aliado ao sistema de absorção das vibrações torna a bike mais confortável e possivelmente é o que a deixa estável nas altas velocidades. Impossível esconder que é prazeroso andar nessa bike que convida a acelerar forte 100% do tempo…

A suspenção Rock Shox SID XX já é minha velha conhecida pois esteve a equipar algumas bicicletas que tive nos últimos anos (Trek Superfly, Specialized Stumpjumper e 2 Epic, Scott Spark). Continua a se destacar pelo seu peso bem leve e nessa edição 2017 subiu de patamar na rigidez lateral, fruto do eixo 15mm e da coroa com novo desenho. A trava é a de mais fácil acionamento do mercado com sistema hidráulico, quando a maioria das concorrentes utilizam cabo. Quanto a leitura do terreno é semi linear, precisa e previsível sem deixar margem a surpresas, valendo destacar que quando travada aderna 20mm, o que pode até desagradar alguns puristas, mas só notei benefícios. Testei com a calibragem recomendada pelo fabricante e com 10 libras a mais e 10 a menos. No final gostei com a calibragem recomendada que mostrou o melhor comportamento geral e não deu “fim de curso” em nenhum momento.

No dia que um Rider não se agradar em usar um grupo XTR 9000 pode internar o sujeito no manicômio! Primeiro o visual é lindo, covardia pura a beleza do conjunto sobretudo o câmbio traseiro cheio de detalhes minimalistas. Eu já falei bem do XT 8000 em outro release elogiando a precisão e suavidade. O XTR consegue ir além com quase 1kg a menos de peso (grupo completo). A velocidade da indexação é incrível, a precisão é cirúrgica e a suavidade é maternal. Mal se escuta o “cambiar” da relação e a força a ser aplicada nos manetes é de um recém-nascido. O Pé de vela com 2 coroas de 36 e 26 dentes em conjunto com o cassete de 11 velocidades com “pinhão” de 11 dentes e “vovozinha” de 40 permite um “range” de 503%, maior que do seu concorrente direto SRAM Eagle de 12 velocidades. Com apenas 240g a mais de peso estático (que não impacta expressivamente) tem-se a importante vantagem de um escalonamento mais fino face as 22 combinações para manter uma cadência uniforme. Particularmente acho que, para os riders competidores a sério que privilegiam o XCM, além daqueles que não são adeptos das competições, as relações com 2 coroas são as mais adequadas. O Shimano XTR com certeza está no topo da “cadeia alimentar” nesse tipo de transmissão.

O freio Shimano XTR é e sempre foi uma referência no mercado. Em beleza é outra covardia. Em funcionando fez bonito em todos os momentos que foi exigido sob chuva ou sol, e mesmo nas mais longas descidas em nenhum instante perdeu eficiência. Tudo bem eu peso apenas 65kg e por isso é provável que qualquer freio vá me atender, mas a modulação deste XTR é simplesmente maestral e a ergonomia é fascinante… Encaixa como uma luva e nem todos são assim.

As rodas Mavic CrossRide Light não são da categoria “peso pena”, na verdade com mais de 1900g são rodas relativamente pesadas no mundo do MTB competitivo, mas tem pontos positivos em contrapartida. Possuem uma inércia e giro superior (o que te ajuda a manter velocidade no plano), além de rigidez irrepreensível sendo sólidas e confiáveis (aguentam o tranco!). Os cubos rolamentados da Mavic dispensam qualquer comentário face sua reconhecida qualidade. Imagino que a escolha dessas rodas pela Soul se deve face este modelo HT 829 ser vocacionado para maratonas e ultramaratonas, onde uma roda mais forte, ainda que um pouco pesada significa segurança para completar uma longa jornada. Calçadas pelos pneus Victoria Mezcal TNT 2.25 que são extremamente forte estão aptas a encarar o holocausto do universo MTB Cross Country nos mais severos percursos.

Durante os testes coloquei uma roda mais leve (DT SWISS/SENTEC) e o único ganho de performance notado se deu nas subidas mais acentuadas.

No total foram 7 competições utilizando a Magma HT 829, inclusive nas duras Ultramaratonas Warm Up Brasil Ride e Sertão Diamante, em que a bike foi de extrema competência me ajudando a colocar o pé no pódio em 6 delas. Até agora a bike apresentou um perfeito funcionamento e sequer teve um furo de pneu, o que deixa qualquer um feliz! Também pegou alguns KON’s e muitos RP’s no Strava… :)

O destaque sem dúvida ficou em perceber que esta é a bike Hard Tail mais confortável que já pilotei, pela maior complacência na flexibilidade vertical do triângulo traseiro, sem, no entanto, perder a tocada esportiva que caracteriza uma HT.

No quesito custo X benefício desconheço outra bike no mercado, nacional ou importada, em carbono de alta qualidade, com grupo Shimano XTR 9000 completo incluindo os freios, suspensão no nível Rock Shox SiD XX, periféricos em carbono, rodas Mavic, Selin Fizik e Pneus de alta performance com o preço camarada que a SOUL divulga em seu site (confiram lá).

Após esse tempo rodando e participando de competições com esta bike posso afirmar categoricamente que a Soul HT 829 tem tudo para competir com suas concorrentes, sejam nacionais ou importadas, e ajudar o atleta a cruzar a linha de chegada na frente. A bike faz por merecer seu nome, passa por sobre tudo e nada (nem ninguém) segura, dependendo apenas do rider calibrar a temperatura da “MAGMA” com a força de suas pernas!

Agradecimento especial a Ocean Bike Brasil e Soul que providenciaram a bike que está aprovada com louvor no teste do Xerife!

Abração a todos.”

 

Fonte: Facebook do atleta | Publicação original do atleta

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